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Para Álvaro de Campos…

Novembro 5, 2009

bem sei do cansaço,

da morbidez…

A goteira da pia

o relógio no pulso

                                                     – que não consigo ver

e a insônia fixa em minha retina

 

entendo da metafísica do mundo

e da pequena que come chocolates

há de comer!

há de comer todos os sonhos

das janelas do meu quarto!

e por hora,

                                                     só as chinelas escuto

- no corredor imudo -

 

A ti e a nenhum outro

dedico os versos esses

e assim que quero eu

                                                      – que goste tu…

 

já que em mim

há apenas cansaço

e tinta nos dedos…

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abril…

Outubro 20, 2009
da solidão iminente
no meio dos anônimos
tu encontrastes um coração…
que se dispôs a escrever uma nova história
e fez-se todo palavras, cravou-as nas mãos
e seguiu o caminho incerto, sem olhar pra trás
sabia apenas que sozinho não era mais
agora era
tu e eu (NÓS) mim e você

da solidão iminente

no meio dos anônimos

tu encontrastes um coração…


que se dispôs a escrever uma nova história

e fez-se todo palavras, cravou-as nas mãos

e seguiu o caminho incerto, sem olhar pra trás

sabia apenas que sozinho não era mais

agora era

tu e eu (NÓS) mim e você

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aulas de poesia…

Setembro 23, 2009

entediada, tediante

sufocada num aperto

que em mim gritante, incessante…


enfado!


corto os pulsos

escorre

o tédio quase inócuo

sobre os versos de outrora

cortas tu, corto eu com o Pires

– resiste!

e de fundo o enfadonho recitar de Cruz

ou Souza


Maya Andrade & g.sednanref
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escritos de outrora…

Julho 6, 2009

[...] não consigo pensar, não consigo escrever, não consigo entender… só há uma dor, uma dor de estômago que me dói…
a música de fundo, a vela acesa, o escuro eminente e presente fazem com que algo de dentro venha à tona, ao mesmo tempo dá vontade de levantar e dizer algo, fico aqui, quase que completamente estagnada, não fosse os dedos mexendo para digitar…
toma-me de repente uma vontade, um quase impulso incontrolável de ir ao seu encontro, de te pegar a nuca e olhar nos teus olhos, fixo, profundo, e somente com olhares te dizer tudo o que está aqui dentro, dizer tudo o que sinto e te beijar com a mesma voracidade com que digo as palavras em meu pensamento…e no entanto, continuo aqui, vela, escuro e música… você dormindo talvez, talvez esperando por mim, talvez pensando coisas semelhantes às minhas, ou simplesmente em nada… seja lá o que for, eu me vou, tento não desse nem daquele, mas do sei lá…

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poema novo

Julho 4, 2009

espero que ao dedicar-te esses
consigas sentir em ti
o que em mim carrego
que não é pouco
e por ora não o bastante
mas intenso e muito

tenho no peito
a saudade
e no ar
seu perfume

no pensamento
não me sai você
não te tiram de mim
teu nome

desejo-te você
aqui e eu em mim
peço por ti
de olhos fechados

que me venha
de repente
na nuance
e me veja eu teu semblante

espero que sintas em ti
esses,
que carrego pra ti
e mais ninguém,
os novos versos teus

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Fevereiro 19, 2009

junto com o celular de minha mãe
se foram a sanidade e a memória
que não me recordo onde
nem donde
só o fato
de dado – o último
centavo
guardado no bolso amarrotado
o apertado poema
lido-seco-mudo
sem nada

só óculos, registro geral
e as chaves da minha mãe
recostados no mundo dos perdidos

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cOreS

Setembro 28, 2008

cores

ah! quisera eu me multifacetar como as cores…
e de acordo com as vibrações solares mutar
seguir por entre um feixe a[zul]

claro, escuro, fosco, brilhante
primárias, frias, quentes
cores, cores, tudo são cores!

ah! quisera eu me multifacetar em forma de cores…
dançaria o ritmo da cantarola dos pássaros
e me desfaria na brisa

cores mixturadas,dilaceradas
umas nas outras e em nenhuma
(di) fundidas além

ah! quisera eu me multifatigar nas facetas das cores…
tentaria cada vez mais tonalidades,
e com mais (f)utilidades sobrepor, sobresair, sobrevestir

sensual, séria, angelical, dark
profissional, caseira, noturna
são cores, tudo-tudo-cores

ah! se eu fosse uma cor!

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Setembro 24, 2008

me dói o teu jeito de amar
e o meu de doer

a cada dia mais fere fora
fora fere a cada dia mais
e dói em mim a insensatez do doer

fere fora fora fere
fora fere fere fora
desse tão dentro que não mais eu
nem ti afinal

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..persona..

Setembro 21, 2008


por Brincadeira vesti uma máscara
caiu-me bem
angariei Sorrisos e Elogios
fizeram-me otário
percebi.
nariz de Palhaço era.

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..

Setembro 19, 2008

Éeee… eu não gosto desse barulho. Esse, esse… barulho parece de um motor… Eu não gosto desse barulho. Minha cabeça não agüenta. Meus olhos não agüentam mais olhar pra esse, esse barulho! E olha ali! Aquela garotinha ruiva olhando pra mim, me dizendo sem parar! Eeeu não gosto desse barulho que parece um motor e desse barulho e das coisas que essa menina diz sem parar. Cala seus olhos! Cala! Eu não agüento… Sinto o sangue saboroso escorrendo da minha cabeça, mas esse barulho não pára! E esses olhos ruivos continuam me olhando e dizendo coisas que não quero ouvir sem parar.