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janeiro 18, 2010

escrevo à noite e você

não está aqui

escuto sua voz

converso com você

mas tudo não passa

de enganos da saudade


Me desculpe,

se te magoei

se falei coisas que

[não devia


Anjo, eu preciso

te ver,

preciso te sentir


tantos problemas

e eu já não sei o que fazer

tinta escorre de meus dedos

e mesmo assim

Não posso te ver


Já não durmo

e a cada manhã

tenho que levantar

e ser alguém


olho à minha volta

e tudo não passa de meras

[imagens

em seus cenários

de pessoas apagadas


E onde está você, meu anjo?

Eu preciso te ver


meus passos falsos

minha música torta

e minha mão trêmula

[na folha de papel

são tudo o que tenho

[pra tentar

te fazer sorrir

- pra mim…-


mas eu tenho que ir

eu tenho que uma vez

te dizer a verdade:


Anjo, preciso de você…

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janeiro 11, 2010

no recorte incessante

das reminiscências

da infância

- que passam… -

vivo inebriada,

incomodada

da inscontância

- … dentro da retina… -

que me sufoca, enlouquece

e deixa um vazio

[infundado e enfadado

- … sem parar! -

nos laços criados

de faz de conta

à aço cirúrgico

- entrelaços de sem querer -

continuo quase que

sem perceber

inventando

- realidades já traçadas? -

E você que nada vê

ou finge não ver

cá estou eu

- num buraco sem fim. -

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Para Álvaro de Campos…

novembro 5, 2009

bem sei do cansaço,

da morbidez…

A goteira da pia

o relógio no pulso

                                                     – que não consigo ver

e a insônia fixa em minha retina

 

entendo da metafísica do mundo

e da pequena que come chocolates

há de comer!

há de comer todos os sonhos

das janelas do meu quarto!

e por hora,

                                                     só as chinelas escuto

- no corredor imudo -

 

A ti e a nenhum outro

dedico os versos esses

e assim que quero eu

                                                      – que goste tu…

 

já que em mim

há apenas cansaço

e tinta nos dedos…

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abril…

outubro 20, 2009
da solidão iminente
no meio dos anônimos
tu encontrastes um coração…
que se dispôs a escrever uma nova história
e fez-se todo palavras, cravou-as nas mãos
e seguiu o caminho incerto, sem olhar pra trás
sabia apenas que sozinho não era mais
agora era
tu e eu (NÓS) mim e você

da solidão iminente

no meio dos anônimos

tu encontrastes um coração…


que se dispôs a escrever uma nova história

e fez-se todo palavras, cravou-as nas mãos

e seguiu o caminho incerto, sem olhar pra trás

sabia apenas que sozinho não era mais

agora era

tu e eu (NÓS) mim e você

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aulas de poesia…

setembro 23, 2009

entediada, tediante

sufocada num aperto

que em mim gritante, incessante…


enfado!


corto os pulsos

escorre

o tédio quase inócuo

sobre os versos de outrora

cortas tu, corto eu com o Pires

– resiste!

e de fundo o enfadonho recitar de Cruz

ou Souza


Maya Andrade & g.sednanref
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escritos de outrora…

julho 6, 2009

[...] não consigo pensar, não consigo escrever, não consigo entender… só há uma dor, uma dor de estômago que me dói…
a música de fundo, a vela acesa, o escuro eminente e presente fazem com que algo de dentro venha à tona, ao mesmo tempo dá vontade de levantar e dizer algo, fico aqui, quase que completamente estagnada, não fosse os dedos mexendo para digitar…
toma-me de repente uma vontade, um quase impulso incontrolável de ir ao seu encontro, de te pegar a nuca e olhar nos teus olhos, fixo, profundo, e somente com olhares te dizer tudo o que está aqui dentro, dizer tudo o que sinto e te beijar com a mesma voracidade com que digo as palavras em meu pensamento…e no entanto, continuo aqui, vela, escuro e música… você dormindo talvez, talvez esperando por mim, talvez pensando coisas semelhantes às minhas, ou simplesmente em nada… seja lá o que for, eu me vou, tento não desse nem daquele, mas do sei lá…

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poema novo

julho 4, 2009

espero que ao dedicar-te esses
consigas sentir em ti
o que em mim carrego
que não é pouco
e por ora não o bastante
mas intenso e muito

tenho no peito
a saudade
e no ar
seu perfume

no pensamento
não me sai você
não te tiram de mim
teu nome

desejo-te você
aqui e eu em mim
peço por ti
de olhos fechados

que me venha
de repente
na nuance
e me veja eu teu semblante

espero que sintas em ti
esses,
que carrego pra ti
e mais ninguém,
os novos versos teus

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fevereiro 19, 2009

junto com o celular de minha mãe
se foram a sanidade e a memória
que não me recordo onde
nem donde
só o fato
de dado – o último
centavo
guardado no bolso amarrotado
o apertado poema
lido-seco-mudo
sem nada

só óculos, registro geral
e as chaves da minha mãe
recostados no mundo dos perdidos

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cOreS

setembro 28, 2008

cores

ah! quisera eu me multifacetar como as cores…
e de acordo com as vibrações solares mutar
seguir por entre um feixe a[zul]

claro, escuro, fosco, brilhante
primárias, frias, quentes
cores, cores, tudo são cores!

ah! quisera eu me multifacetar em forma de cores…
dançaria o ritmo da cantarola dos pássaros
e me desfaria na brisa

cores mixturadas,dilaceradas
umas nas outras e em nenhuma
(di) fundidas além

ah! quisera eu me multifatigar nas facetas das cores…
tentaria cada vez mais tonalidades,
e com mais (f)utilidades sobrepor, sobresair, sobrevestir

sensual, séria, angelical, dark
profissional, caseira, noturna
são cores, tudo-tudo-cores

ah! se eu fosse uma cor!

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setembro 24, 2008

me dói o teu jeito de amar
e o meu de doer

a cada dia mais fere fora
fora fere a cada dia mais
e dói em mim a insensatez do doer

fere fora fora fere
fora fere fere fora
desse tão dentro que não mais eu
nem ti afinal

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